Para limpar a história

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Alemães e argelinos fazem duelo épico em Porto Alegre

Texto de: Gabriel Panice

Se em 82, Alemanha e Argélia foram protagonistas da “vergonha de Gijón”, em 2014 foram os atores principais do melhor jogo até aqui na Copa no Brasil. Não apenas pela emoção da peleja, mas pela entrega em todos os minutos do jogo de ambos os times.

Torcedores argelinos relembram 1982. (Foto: Getty Images)

Em 82, o melhor time argelino de todos os tempos até hoje, foi eliminado após um jogo de compadres entre Alemanha Ocidental e Áustria, que avançaram na chave. Antes, a Argélia havia vencido a Alemanha.  Hoje, os argelinos (ou franceses, como queiram) entraram com sangue nos olhos para vingar 82. E parecia que conseguiriam.

Os primeiros 30 minutos de jogo foram de domínio africano. Criando chances, pressionando na marcação e levando bastante perigo. Apenas após esse início surpreendente, é que a Alemanha conseguiu se impor, mas nunca deixando de sofrer os contra ataques argelinos.

Muito desse domínio surpreendente da Argélia é culpa de Joachim Löw, que insiste nos erros cometidos nos outros jogos. Quatro zagueiros-zagueiros na primeira linha de marcação. A teimosia não tinha fim. Seus meias (Götze e Özil) centralizavam para abrir o corredor para a subida dos laterais (?). Höwedes e Mustafi, zagueiros de ofício não conseguiram por em prática aquilo que Löw queria.

Quem diria, o músculo posterior da perna esquerda de Mustafi foi mais visionário que o próprio Löw. O falso lateral direito saiu lesionado aos 15 do segundo tempo. Com a entrada de Khedira, Lahm finalmente voltou para a lateral, de onde nunca deveria ter saído. A Alemanha criou, criou até bastante. Não esperava encontrar Rais Mbholi pelo caminho.

Em mais uma atuação daquelas de um goleiro na Copa, Rais impediu a vitória alemã. Em VINTE E UM chutes, Rais pegou NOVE. Muitas delas com um grau de dificuldade alto. Mas nada disso é importante. A garra, a vontade, a superação argelina e também alemã chamou mais a atenção. Noventa minutos não foram suficientes para medir a entrega dos times. Foram necessários cento e vinte. Até o último segundo, o suor de ambos escorria em busca do gol.

O melhor 0 a 0 das Copas, não merecia tal placar. A prorrogação veio para corrigir esse pecado. Schürrle, logo no início, com uma letra de médico, daquelas incompreensíveis, colocou o UM no placar e a certeza de que a Alemanha avançaria pela oitava vez seguida as quartas. Os argelinos discordaram. Partiram para mais uma batalha. Esgotados, sem energia alguma, ainda conseguiram assustar.

Schürrle comemora a abertura do placar na prorrogação (Foto: Reuters)

Quando Özil colocou o DOIS no placar, muitos deram a guerra como acabada. A Argélia não. No lance seguinte, Djabou deu o primeiro golpe que realmente machucou a meta defendida pelo maluco Neur. Pena que o tempo esgotou. O cruzado de esquerda de Özil (quem diria!) deu mais resultado. Dois a um. Fim. Argélia sai de cabeça erguida. Alemanha também.

A Vergonha de Gijón foi apagada. Lembraremos apenas da Batalha de Porto Alegre.

Alemanha agora enfrenta a França nas quartas de final na próxima sexta. O jogo no Maracanã tem tudo para ser outra batalha memorável nessa Copa das Copas. Löw deve mexer no time. Espero. A disputa no tabuleiro de xadrez do meio campo será imprevisível. Bom para o futebol. Obrigado aos deuses do futebol.

No duelo de novas gerações, Bélgica e Estados Unidos buscam sobreviver na Copa das Copas

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Salvador começa a segunda fase, no nível da primeira

Texto de: João Vitor Rezende

A próxima terça-feira promete na Arena Fonte Nova. Depois de grandes duelos na primeira fase, como as goleadas de Holanda, Alemanha e França, contra Espanha, Portugal e Suíça respectivamente, o mata-mata já começa mantendo o nível dos primeiros duelos em Salvador. A tão falada nova geração belga, passou tranquilamente pelo grupo H. 3 jogos, 3 vitórias, 9 pontos, apenas 1 gol sofrido. Os estadunidenses, tão jovens quanto seus rivais de oitavas de final, mas não com uma primeira etapa tão fácil. Contou a favor, o fato de não ter levado tantos gols da Alemanha. 1 vitória, 1 empate, 1 derrota, e apenas 1 tento sofrido contra os alemães.

Cercados de observações e expectativas de um bom futebol, a Bélgica tem decepcionado os que esperavam show, passeio no grupo H. Mas os diabos vermelhos, nunca deram espetáculo. A seleção é repleta de destaques indivíduais como Courtois, Kompany, Fellaini, Mirallas, Lukaku e o craque do time Hazard, Marc Wilmots não consegue achar a melhor maneira de fazer suas estrelas renderem em campo. Mas, os belgas conseguem ser eficientes quando estão em apuros. Foi assim nos três jogos da primeira fase decididos nos últimos 20 minutos em cada peleja.

Os Estados Unidos vem surpreendendo pelo nível técnico apresentado no Mundial. Venceram Gana na primeira rodada, depois seguraram o melhor do mundo, e na sequência jogaram de igual pra igual frente a Alemanha, uma das favoritas ao título. As subidas pela direita de Johnson, o meio-campo de qualidade, com bom posse de bola, toque e agilidade, e a intensa movimentação de Dempsey no ataque, são as armas dos norte-americanos.

Duelo de bons jogadores, e também de bons técnicos, que prezam pela habilidade e não pela força física. Klinsmann pode aproveitar as duas linhas de quatro, intercaladas com 1 volante de seus adversários, e apostar na mobilidade e o avanço de seus volantes para dominar o meio. Hazard pode ser facilmente anulado, se permanecer preso na ponta esquerda. A solução de Wilmots para que os belgas apresentem um futebol mais vistoso, é deixar Hazard com liberdade em campo. Mirallas merece a titularidade pelas atuações na primeira fase. O esquema também precisa ser repensado, pois o 4-1-4-1 não vem dando certo. O 4-2-3-1 poderia se encaixar melhor, com Lukaku de referência e De Bruyne no banco.

Mirallas, o salvador belga (Foto: Gabriel Bouys/AFP)

O vencedor enfrenta nas quartas de final Argentina ou Suíça. Vale a pena conferir o duelo, e observar como os jovens selecionados se portam em um jogo de grande importância, como um mata-mata de Copa do Mundo. Um grande confronto nos aguarda e quem vencer ainda dará trabalho no Mundial.

Calor, sufoco e Oranje nas quartas

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Holanda vira partida no fim e garante vaga

Texto de: Vitor Carvalho

Robben e Sneijder, os mais importante no duelo, comemoram vaga (Foto: Reuters)
A Holanda venceu; confirmou o favoritismo, a lógica para a maioria, e Van Gaal, mais uma vez, sorriu. Mas para saírem de campo aliviados, o jogo e o cenário se encontraram mais difíceis do que imaginavam. O México não teve medo. Ochoa inspiradíssimo, no local onde, doze dias antes, parou a seleção brasileira. Fortaleza, que faz jus às suas atuações até aqui no mundial e à defesa mexicana, liderada pelo capitão Rafa Márquez.

O temperatura era alta - porém, dentro de campo, muito estudo e poucas tentativas. Pela primeira vez no mundial foi usado o "cooling break", assim denominado pela FIFA, para descanso e reidratação dos jogadores. Conforme o combinado, jogos com temperatura acima de 32°C deveriam ser paralisados aos 30 minutos de cada tempo, desde que houvesse comum acordo entre os treinadores. Assim houve e, mais do necessário, prezava pelo bom futebol. Jogar no Nordeste, às 13h, é um desafio e tanto.

Esperava-se mais da Holanda. A sensação que ficou, ao menos na primeira metade, é de que o México equilibrava a peleja mais por méritos do que pela deficiência do adversário. Poucos tiveram a percepção de elogiar a disciplina tática (como já diria Galvão) dos mexicanos. Que haveria entrega ninguém desconfiava, porém, teve mais. Teve Giovani dos Santos quase marcando no fim do primeiro tempo; também Salcido arriscando de longe e teve segurança por parte de todo o sistema defensivo, exceto o capitão. Márquez quase deu uma entregada no melhor estilo Gerrard. Facilitou para Robben, o mais incisivo holandês, que arrancou até a área e sofreu um duplo penal. O árbitro mandou seguir, e logo depois os jogadores voltaram ao vestiário, exaustos, e não era pra menos. Até a torcida acusava o forte calor, se concentrando onde havia sombra no belo Castelão.

A pausa foi fundamental. Os mexicanos voltaram ainda melhores e, logo no início, após arrancada, Giovani dos Santos arrematou de fora da área. Golaço, tirando as chances de defesa de Cilessen. Hora dos holandeses irem pra cima, superar as adversidades do dia e tentar uma bola para Van Persie - mais sumido que o Kagawa na copa - ou na genialidade de seu craque apagado, Sneijder. Isso porque Robben era incansável, um dos melhores do mundial, sem dúvidas. Mas ele não joga sozinho - embora quase toda jogada o designe como tal.

Ochoa intervém em mais um ataque holandês, desta vez pelo alto (Foto: Reuters)
Van Gaal percebeu que precisava de mudanças. E só tinha mais duas, já que De Jong deixou o campo nos minutos iniciais dando lugar a Martins Indi. O zagueiro compôs a linha defensiva e o ótimo lateral Blind fora deslocado para a volância. O lateral do Ajax parecia não se encontrar e estava longe da atuação contra os espanhóis na estreia. Os minutos corriam e o comandante apostou em seu talismã: Depay, que nos jogos que entrou decidiu, foi designado para incendiar a partida, e pouco o fez. Se a mudança já era ousada, mas prudente, colocando um ponta no lugar de um lateral, ninguém imaginava que o treinador holandês tiraria o capitão Van Persie de campo. Tirou, e Huntelaar pisou pela primeira vez nos gramados brasileiros.

Diferentemente dos jogos anteriores, as mudanças não surtiam efeito. Enquanto a seleção se esforçava para conseguir jogadas perigosas, Ochoa pegava tudo e ainda contava com a trave - parecia seu sexto dedo. O México se fechava e a classificação às quartas, depois de 28 anos, era realidade. Uma equipe que esteve a beira da não classificação até os 47 minutos do segundo tempo, frágil e sem comando, se reestruturou. A tradicional camisa mexicana em mundiais apareceu. Miguel Herrera, o comandante, e seus jogadores mereciam continuar a dar alegrias ao povo.

Como a classificação para o mundial veio, a eliminação no torneio também chegou da mesma forma, nos acréscimos. O México vencia até os 41 minutos, quando em um escanteio, provido da pressão holandesa, Sneijder empatou. Passe (desvio) de Huntelaar, que o carrasco brasileiro pegou de primeira, com raiva, mostrando que está vivo no mundial. Ainda teve tempo, dessa vez pelo lado direito do campo, de Robben carregar a bola até a grande área e desmanchar em cima de Rafa Márquez. Dessa vez, o juiz apitou pênalti - inclusive, muito discutível. Huntelaar, que pediu a bola para Robben, bateu. Marcou o gol da classificação às quartas de final. Castigo para os mexicanos, felicidade holandesa. E quem é que disse que os homens do banco de Louis Van Gaal não resolvem?


Huntelaar e Depay, ambos vindos do banco, festejam a virada (Foto: Reuters)



James Rodriguez decide e Colômbia enfrenta o Brasil

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Texto de: Jean Marcel

Sem as suas principais estrelas, seleções sulamericanas se diferenciam com os coadjuvantes

Suarez, operado um mês antes da copa e, posteriormente, banido do futebol por 4 meses. Falcão Garcia, lesionado em um jogo da Copa da França e fora da copa. Colômbia e Uruguai viram seus ídolos, por motivos diversos, longe da Copa do Mundo e se enfrentaram nas oitavas de final num jogo morno e que a história se lembrará como a diferença entre James Rodriguez e Edison Cavani.
Cavani, o símbolo da seleção uruguaia sem Suarez. Crédito: Globoesport

Os dois jogadores do Mônaco são estrelas também, mas não são os protagonistas de seus países. James é novo, se destacou recentemente e surgiu na copa como a salvação de um time que perdeu sua referência. E foi dos pés dele que surgiu a vitória Colombiana, nos dois gols, no talento e na raça do melhor jogador da copa, pelo menos até agora. O camisa 10 dos "cafeteros" não se omitiu em nenhum momento e levou seu time, com dança e alegria, para as quartas.
Já Cavani é mais experiente, 27 anos, tinha tudo para explodir nessa copa, mas não o fez. Cavani foi omisso, esteve sumido, sacrificado para Suarez brilhar nos dois últimos jogos, e saí da copa com um gol de penalti apenas. Cavani foi o menos uruguaio dos uruguaios, o menos aguerrído, o menos entre os que esperavam muito. 
Colômbia empolga com bom futebol e melhores comemorações

E no fim, essa foi a diferença. Sobra para Tabarez a missão de rejuvenecer o time, que perde Lugano, perde Fórlan, terá Muslera, Godín, o próprio Cavani, Alvaro Pereira, Suarez e muitos outros com mais de 30 para o próximo ciclo. E para a Colômbia é pensar no Brasil, que jogou mal contra o Chile, e alcançar a maior façanha da história futebolística do país. Futebol, os comandados de Peckerman já demonstraram mais do que os brasileiros, agora resta saber se a história lembrará de James Rodriguez como o nome de 2014 ou de alguém que foi até onde podia sem Radamel Garcia. 

Bravo, Julio!

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Goleiro conquista a redenção e põe a seleção, que fez sua pior partida até aqui, nas quartas

Texto de: Felipe Deliberaes

Julio, heroi da classificação brasileira às quartas de final (Foto: Vipcomm)
A eliminação nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2010 ainda repercute entre os amantes do futebol. Todos analisam os gols da Holanda e buscam um culpado. Naquele caso, podemos dizer que são dois: Felipe Melo e Julio César, que se trombaram na hora de espalmar uma bola. Felipe foi perseguido – injustamente – pela mídia esportiva. Eu, particularmente, acredito que o goleiro foi o maior culpado, mas são coisas do futebol. Será que a mídia russa vai querer a cabeça do goleiro Akinfeev, que falhou duas vezes? E alguém acredita que a portuguesa vá perseguir o inconsequente zagueiro Pepe até a próxima Copa? Não ao ponto que fizemos com esses dois.

Brasileiro é assim mesmo: tem que ter alguém pra crucificar. E quando o 'Cristo' da vez se redime, todas as críticas evaporam. É incoerente. Mas pelo menos elas desaparecem,
certo? Julio César é o menor dos culpados pela instabilidade da seleção brasileira até aqui. E ontem, no Mineirão, foi o 'culpado' pela classificação. O Chile jogou melhor, teve mais calma – se alguma equipe não tinha nada a perder ontem, eram os vermelhos. O favoritismo era nosso, a torcida era nossa, a Copa é nossa. Parar nas oitavas, ainda que para a melhor seleção Chilena em muito tempo, seria desastroso. Ao levar o empate, a pressão deve ter caído na cabeça de cada jogador como um bloco de concreto, o que resultou em desorganização completa e desequilíbrio emocional durante o restante da partida.

O Brasil começou apostando nas jogadas pela esquerda, com Marcelo, buscando chegar em Neymar. Do outro lado do campo, Daniel Alves era instável como sempre. Não demorou a perder uma bola ainda no campo de defesa e colocar a seleção em perigo. Não dava pra confiar. O reserva Maicon, mesmo não tendo ainda oferecido uma amostra de seu nível técnico, deveria começar a próxima partida. O titular é o ponto fraco, por onde saem as jogadas.
Ontem, não raro, David Luiz tinha de subir para o canto do campo e ajudar a proteger aquele lado, o qual o lateral do Barcelona deixava desprotegido quando subia – sem muita eficiência – ao ataque.

O gol, claro, saiu pelo lado esquerdo. Neymar cobrou escanteio, desviado por Thiago Silva e mal desviado pelo chinelo Jara. A bola ainda encostou de leve em David Luiz e entrou. Primeiro gol do zagueiro com a camisa da seleção, “primeiro dos muitos que faremos hoje”, imaginava o otimista. E otimistas também estavam os onze em campo: recuarem, sossegaram, só marcaram e tiveram paciência. Paciência demais, objetividade de menos. O goleiro Bravo, também um dos protagonistas da noite, não deixava nada passar. Se tivesse prosseguido seria candidato à “luva de ouro”, ou seja lá qual é o prêmio para o melhor goleiro da Copa. O Chile empatou com Sánchez em bobeada do sistema defensivo no final do primeiro tempo. O temor e a inquietude tomaram conta de cerca de 53 dos 57 mil presentes ao Mineirão na tarde desse último sábado.



Comemoração brasileira após o 'gol' de David Luiz (Foto: Getty Images)

No segundo tempo, os chilenos não ofereceram perigo constante ao desequilibrado sistema defensivo, mesmo passeando pelo meio-de-campo. A história foi assim durante boa parte do jogo. Quando já parecia difícil o placar mexer, começou a brilhar a estrela da tarde: Julio César defendeu brilhantemente, no contrapé, chute forte de Aránguis. Hulk já havia tido um gol anulado por dominar com o braço. O otimismo diminuía, e a prorrogação se tornava inevitável.

Os onze brasileiros começaram bem, mais calmos, sem desespero. Mas não arriscaram. Nada aconteceu nos primeiros 15 minutos, fora alguns chilenos desabarem no chão – uns exaustos, outros malandros. E os outros 15 seriam desesperadores. Pinilla acertou o travessão com poucos segundos restando. Não havia mais o que fazer. O choro do goleiro brasileiro indicava a tensão do momento. Era outra situação, outros jogadores mas, da última vez que a seleção bateu pênaltis decisivos, não guardou nenhum. Mesmo assim, a Copa América 2011 estava distante. Mais distante que o fantasma da Copa de 2010, na África do Sul. Não há quem não lembrasse da falha do goleiro.

Mas aquele era outro Julio. Este de agora disse aos colegas: “pego dois”. E pegou dois. O terceiro explodiu na trave. Alívio. Brasil classificado, jogando mal, desequilibrado emocionalmente e, em alguns momentos, sem a menor organização tática. Agora vem a Colômbia de James Rodriguez e cia. Dado o bom jogo deles contra o Uruguai, o favoritismo não existe. Tudo pode acontecer – até mesmo mais uma disputa de pênaltis. Aí eu quero ver.


Festa do escrete canarinho após vitória nos pênaltis (Foto: Vipcomm)






Pra europeu ver

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A música já dizia
"tocou Neymar
é gol"
ou será que dizia
"we are one"
ou será que dizia
"waka waka
ê ê"?

Não sei qual é
a canção oficial
mas pra mim a trilha
é em castelhano:
"dale argentina"
"soy celeste"
"vamos cafeteros"
cantos de todos os cantos

Bola na trave
não altera o placar
bola na área
ninguém vai cabecear?
bola no chão
passa pra lá, passa pra cá
o tempo também passou:
tiki-taka, tiki-taka

Deus salve a mordida
o tempero portenho
o calor e a umidade
da América Latina
o valor e a humildade 
de quem joga pra valer
no sol da Amazônia
ou na chuva londrina

Copa pra quem?
o inglês veio
espanhol veio
italiano veio
encheu de estrangeiro
gente do mundo inteiro!
virou um prato cheio
essa Copa do dinheiro

A gente daqui
é gente sofrida
dos pés calejados
pela terra batida
nossas histórias
são guerras e guerrilhas
riquezas perdidas
e gente oprimida

E mesmo assim
pelo menos por agora
o show é brasileiro
é colombiano
é chileno
é mexicano

show é latino

latino-americano.


Punição (muito) exagerada, mas não esconde o erro de Suárez

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Texto de: Gabriel Panice

Como todos sabem, o atacante uruguaio Luis Suárez pegou um gancho pesado da FIFA. Após morder Chiellini, da Itália, o atleta não atua mais durante essa Copa. Nove jogos oficiais com a seleção, quatro meses fora de qualquer atividade relacionada ao futebol, além de uma multa de 100 mil francos suíços.

Pena pesada e inédita na história das Copas. Exagerada, claro. Suárez fica proibido inclusive de pisar em estádios durante a Copa, sua credencial foi confiscada e ele já retornou a Montevidéu. Injusto. Como um jogador não pode sequer acompanhar seus conterrâneos disputando uma Copa??

Não se pode esquecer que é a terceira mordida de Suárez. Já havia mordido Bakkal, em 2010 e, Ivanovic, em 2013. Além do famoso caso de racismo. Óbvio que o passado pesou. Não se pode defender Suárez quanto as suas atitudes. Enorme jogador, pessoa questionável. Mas ficar quatro meses sem poder exercer sua profissão é justo?

O próprio Chiellini questiona a pena exagerada imposta a Suárez. Em comunicado diz que a pena é alienante e se solidariza com o companheiro de profissão, impedido de exercê-la por quatro longos meses. 

Mas talvez, com essa punição, Suárez aprenda de uma vez por todas que vivemos em sociedade e que certas atitudes são condenáveis. Morder colegas em campo é uma delas. Repito, essas atitudes não condizem com o grandíssimo jogador que é, e que fará muita falta ao Uruguai. Uma atitude imbecil e impensada praticamente tira a possibilidade do Uruguai repetir 1950. Uma pena.

Do deserto às oitavas: Argélia acompanha a favorita, mas instável, Bélgica

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Raposas buscam empate contra a Rússia em outro dia infeliz de Akinfeev. Belgas confirmam primeiro lugar

Texto de: Felipe Deliberaes

Atacante Slimani comemora seu gol, que classificou a Argélia para as oitavas (Foto: Getty Images)
Quando foi decidido que o último grupo da Copa contaria com a emergente Bélgica, a estagnante Rússia e as incógnitas Coreia do Sul e Argélia todos apostavam, em seus bolões, nos diabos vermelhos em primeiro e numa briga de foice pela segunda posição. Ninguém sabia quem passava. Mas, então, recapitulemos o caminho das três 'coadjuvantes': os russos chegavam com a pompa de terem passado pelas eliminatórias deixando Portugal na repescagem - da qual os coreanos, nas eliminatórias asiáticas, escaparam por apenas um ponto. 

Mas quem quase não pisou em solo sulamericano foi a Argélia. Após passar tranquilamente por um grupo com Mali, Benim e Ruanda, enfrentou Burkina Faso em confronto direto pela última das cinco vagas africanas. Perderam o primeiro jogo, fora, por 3x2. A classificação veio nos pés de Bougherra, aos 4 minutos do segundo tempo, na partida de volta. 1 a 0. Sofrido, chorado, no critério do gol fora de casa, mas com o mesmo valor de um 10x0. A Argélia deixava o deserto rumo às praias brasileiras.

Bom, uma seleção surpreendeu, a outra penou um pouco, e a última quase não veio. Depois dessa retrospectiva e levando em conta a tradição, a aposta natural para a segunda colocada seria a Rússia. Com muito esforço, a Coreia. Mas nunca a Argélia. Só quatro participações em Copas? Quase não passou de Burkina Faso? Ah, vão tomar goleada atrás de goleada...

Pois é. Com gol de Slimani aos 14 do segundo tempo, recompensado após muitas tentativas, a Argélia buscou o empate contra a Rússia, que abriu o placar cedo, aos 5 minutos de jogo, com Kokorin. Ao soar o apito final na Arena da Baixada, a surpreendentemente grande torcida argelina não cabia em si de alegria, exagerando nas reverências religiosas e até acendendo um sinalizador, proibido pela FIFA, mas liberado por nós, fãs do futebol-coração. E se os russos precisam buscar um vilão para explicar a eliminação é só olhar pra trás, em direção à própria meta: Akinfeev falhou, pela segunda vez no torneio (o frango contra a Coreia jamais será esquecido), saindo muito mal do gol na cobrança de escanteio, sem condições de impedir a testada do atacante argelino.

Números e vozes: Argelinos vieram em peso, fizeram barulho e coloriram a Arena da Baixada (Foto: Getty Images)
Verdade seja dita: a Rússia jogou melhor. Arriscou mais. Tem mais qualidade. Mas lhes faltou a dedicação dos africanos. Não que sejam pernas-de-pau: Slimani, Feghouli e Brahimi, em especial, demonstraram consciência tática e lideraram a seleção com maturidade. Mas não tem como não dizer que a classificação não veio na base do 'coração na ponta da chuteira'. Agora vem a Alemanha. Agora, vai ter que ter chuteira pra colocar 38 milhões de corações.

A Bélgica, por outro lado, foi bem pouco 'coração'. E não muito futebol também. 1x0, 2x1, 1x0, 9 pontos, primeiro lugar, adversário menos perigoso nas oitavas. Cirúrgica. Pra quem teve seu último grande momento em Copas há doze anos, dificultando a vida dos futuros campeões, deve estar ótimo. Mas pro potencial que a seleção tem, é pouco. O 1x0 na Coreia do Sul não diz muito sobre o que foi o jogo: os asiáticos tiveram mais posse de bola, chances de gol, finalizações e trocaram mais passes; Tiveram mais jogadores também, já que Defour foi expulso no final do primeiro tempo. Mas esbarraram em Van Buyten e Lombaerts, e na própria deficiência técnica.


Belgas agradecem a torcida na Arena São Paulo: vem aí o verdadeiro teste (Foto: Reuters)
Os europeus pegam os Estados Unidos nas oitavas. É a primeira prova de fogo: os norte-americanos vêm forte, jogando bonito, apostando no coletivo. E coletivo é algo que ainda está em falta pelos lados de Flandres e Valônia. Já passou da hora da "ótima geração belga" demonstrar a que veio. Ser coadjuvante de novo é muito pouco pra tanto talento.

A Copa no sofá

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Texto de: Enrique Bayer

Torcida de Copa do Mundo e transporte coletivo – em greve ou não – tem lá suas semelhanças: nos dois você vai encontrar todo tipo de gente. Até aquela sua vó que se lembra da expulsão do Daniel Alves contra a Alemanha na África do Sul, em 2010 (foi o Felipe Melo e contra a Holanda vó, mas tudo bem). 

Outra personagem sui generes é seu vô, casado há 78 anos com a vovó e que recorda até hoje que o radinho de pilha – aquele mesmo que ele usa pra ouvir os jogos do Operário – deixou o velho na mão em plena final de setenta, quando Pelé rolou a bola pro Capita marcar o terceiro tento canarinho contra a Azurra no estádio Azteca.


Copa do Mundo também é uma oportunidade pra ver aquela sua tia, aquela mesma, que sempre pergunta das namoradinhas e vai perder um pedaço de todos os jogos do Brasil nessa Copa porque estará preocupada estourando pipocas – que não durarão dez minutos – para a família inteira. 

Acompanhando sua tia vem o tio que sempre faz a piadinha do “pavê ou pacumê” - sim amigo, ele também vai – e provavelmente vai soltar uma do tipo “E aí, quando o Hulk vai ficar verde e resolver esse jogo pra gente?”.


O torneio também traz consigo aquele seu amigo que tem certeza que sabe mais de futebol que você e passa boa parte do jogo analisando a tática de seleções como Honduras, Costa Rica e afins (e ainda questiona porque fulano de tal não foi convocado). Tem aquele seu outro tio, solteirão aos 53 anos, que ninguém aguenta acompanhar na bebida e continua gritando “Não vai ter Copa!” durante a semifinal.

É lógico que o seu vizinho, que tá com a TV estragada, não ia perder a oportunidade pra fazer parte da festa. Aquele, que compartilha imagens da “TV Revolta” no Facebook, vota no Aécio Neves e afirma com convicção que a Copa tá comprada pra ajudar a Dilma numa possível reeleição. Sim amigo, com certeza.

E você, tentando num esforço colossal se concentrar no jogo quando de repente ouve aquele narrador famoso: “Haja coração amigo!”, como se estivesse sentado na sala do seu lado. Afinal de contas: “É Copa do Mundo!” e torcida de Copa tem de tudo, inclusive gente tentando ver o jogo.

A torcida é para o Brasil, ou para a Taça?

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Texto de: João Vitor Rezende

Brasileiro acha que sabe torcer. Nas arquibancadas das pelejas na pátria das chuteiras é nacionalista sim, “com muito orgulho e com muito amor”. Assim como é no vôlei, no futsal, no basquete, no handebol...

Em 12 anos de minha lucidez futebolística, e há uma era bem anterior a minha existência, a torcida verde e amarela é somente “brasileira, com muito orgulho e com muito amor”. No máximo, é “lê, lê lê ô, Brasil”. A Copa do Mundo aplicou um choque de realidade aos que consideravam nossos adeptos como o décimo segundo jogador. A fase está tão complicada, que as emissoras de TV estão tentando intervir.

Nessa terça em partida contra Camarões, a torcida de Brasília levou a sério demais a máxima de que o futebol é um espetáculo. Parecia um teatro. Público sentado, parecia apenas apreciar o que via. Como incentivo, aplausos. Vaias para o que não agradava. Gritos, apenas com a bola balançando a rede - e, quando estufaram a rede de nossa seleção, silêncio absoluto. E parecia luto, pois o silêncio permanecia por um bom tempo. Dessa vez, nem o hino foi completado com o fervor visto anteriormente. Os donos da casa estão deixando os visitantes fazer a festa.

Os nossos vizinhos americanos invadiram as sedes, e estão lotando as nossas novas arenas. Os estadunidenses, que para o mundo ainda "não gostam de futebol", compareceram em peso. Os mexicanos calaram a vibrante Fortaleza, no empate sem gols da terceira rodada. Os chilenos também cantam o fim do hino a capella. Uruguaios, colombianos e argentinos pareciam estar dentro de um de seus alçapões. Uma pena os novos estádios não terem alambrados, pois os ‘hermanos’ já teriam tomado conta dessa área.

Os europeus, principalmente holandeses, franceses, ingleses e italianos, estes dois últimos que vão embora mais cedo, não vieram à toa. Se fizeram ouvir, com direito à Marselhesa e à clássica versão de “Seven Nation Army”, de The White Stripes, enquanto a bola rolava. Os africanos atravessaram o oceano, em menor número, mas representaram bem seu continente.

Mesmo em maioria, o placar não está favorável aos nossos torcedores. A conversa mole de dizer que o torcedor de verdade, a galera da antiga (e saudosa) geral do Maraca, a massa fanática não está nas cadeiras numeradas da Copa, não cola. A única camisa pentacampeã do mundo não pode simplesmente ser vestida como qualquer outra.

Torcer para o Brasil precisa ser mais que vibrar com os bons momentos. As manifestações de apoio devem ser feitas durante todo o jogo, principalmente quando a seleção está em maus bocados. É como jurar fidelidade no altar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossas vidas. É torcer rumo ao hexa, mas o sentimento não vai mudar caso ele não venha dessa vez. É torcer pelos 11, e não por aquele aglomerado de ouro que agrega o currículo, que chamam de caneco, título ou taça. De gol em gol, ou de derrota em derrota, ser torcedor é bem mais do que somente tirar “selfie” de costas para o gramado.

Equador dá adeus a "Copa América 2014"

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Texto de: Enrique Bayer

Se no "grupo da morte" os classificados falam espanhol, no grupo E da Copa do Mundo de 2014 o francês é o idioma. França e Suíça, as vizinhas europeias favoritas nas previsões de especialistas mundo afora avançaram para as oitavas de finais do torneio. Os Bleus pegam a Nigéria. Shaqiri e sua trupe tem missão complicada contra a Argentina de Messi nas oitavas. O Equador é a única das seis seleções sul-americanas a não atingir as oitavas.

Os franceses, que entraram na rodada já classificados, não repetiram o bom futebol das apresentações anteriores. Justifica-se. Seis dos titulares não atuaram, entre eles nomes importantes como Evra e Valbuena, o que diminuiu a intensidade ofensiva dos Bleus. Jogadores que tinham sequer entrado em campo até agora ou participado pouco como Schnederlin e Digne foram titulares na partida de hoje.

O Equador por sua vez precisava vencer e torcer por um tropeço ou vitória magra da Suíça, que não aconteceu. Precisando propor o jogo, os sul-americanos tiveram dificuldades e não puderam explorar os contra-ataques, principal arma do time nos embates contra Honduras e Suíça. A França não pressionava a ponto de deixar a defesa desguarnecida.

Apesar de administrar o placar, os franceses - olho neles - fizeram Domínguez trabalhar. Com quatorze finalizações em direção ao gol, o goleiro equatoriano, que impediu que o placar saísse do zero, foi o nome da partida, realizando boas defesas, como no chute de Rémy, já no final do jogo. A zaga equatoriana, composta pelo questionado Erazo (Flamengo) também teve atuação sólida e papel importante no empate.

Aos cinco minutos do segundo tempo veio o lance que pode ter mudado o destino do Equador. Antonio Valencia, que atua pelo Manchester United, foi expulso depois de entrada no tornozelo de Digne. Cartão rigoroso e os sul-americanos sem seu principal jogador. Apesar de jogar com dez, o Equador continuou se defendendo bem e criou oportunidades de gol na segunda metade da etapa complementar, em contra-ataques oferecidos pela França, que buscava o gol, mas não com muito afinco. Os times terminaram com um zero a zero movimentado. A França promete ser uma adversária dura, o Equador volta pra casa.


Domínguez segura empate, que foi insuficiente para o Equador. Foto: UOL
Enquanto isso em Manaus... Shaqiri, jogador do Bayern de Munique e principal esperança de bom futebol para os suíços resolveu acordar para a Copa. O meia de 22 anos fez 3 gols e resolveu a parada. A seleção suíça jogou no 4-5-1 povoando o meio-campo e se aproveitando das duas linhas defensivas de 4 jogadores armadas pelo técnico hondurenho, deu certo.

Já aos 3 minutos os suíços levaram perigo chegando pelo lado esquerdo. Dois minutos depois, pelo direito, Shaqiri cortou pro meio e fez um golaço de fora da área, dos mais bonitos da Copa até agora. O 1 a 0 anunciava o domínio e superioridade suíços. Aos 30, em contra-ataque rápido Shaqiri apareceu pelo meio para encontrar as redes pela segunda vez depois de ótima enfiada de bola de Drmic, 2 a 0.

Bem organizada ao contrário de Honduras, a seleção suíça continuava criando chances, aos 37 em cobrança rápida de falta Inler achou Xhaka na área, que por pouco não liquidou a partida. Aos 25 do segundo tempo a parceria Drmic-Shaqiri funcionaria novamente. Em outro contra-ataque Drmic ganhou o lance na ponta esquerda e achou o jovem meia do Bayern novamente pelo meio. O astro suíço teve apenas o trabalho de empurrar para as redes e comemorar a classificação, 3 a 0.

Com boa organização tática e bons valores individuais, os suíços podem dar trabalho pros hermanos nas oitavas. A seleção de Sabella não tem lá o melhor sistema defensivo dessa Copa do Mundo e pode ter uma surpresa pelo caminho, Shaqiri que o diga.

Shaqiri acorda, faz três, e classifica Suíça. Foto: Reuters



Ser Futebol

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Texto de: Jean Marcel

Uruguai vs Itália é a prova de que o esporte que amamos sobrevive, apesar dos pesares


Falem que o jogo foi ruim tecnicamente, critiquem os treinadores por terem a defesa como princípio, exaltem a falta de jogadas de efeito... Mas o Futebol respira hoje, respira alegre e contente com uma partida que entrará para a história da copa. Por mais que lembremos dos shows individuais, que exaltemos jogos com muitos gols e propaguemos a amistosidade no futebol, no fim do dia sonharemos com os carrinhos de Godín, com as defesas de Buffon, com a paixão de Alvaro Pereira, com o rosto triste de Pirlo ao alçar, pela última vez em mundiais, a bola na área, buscando um companheiro. 
Decisivo, Godín marcou de cabeça e classificou a celeste. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
O jogo de hoje não foi apenas um confronto entre equipes acostumadas a sofrer, foi muito mais que isso, foi o grito de um esporte que não nasceu para cordialidade (veja que não falo nada sobre Fair Play ou educação). Sou defensor da ideia de que o Futebol entristeceu no dia que o Bernábeu aplaudiu Ronaldinho Gaúcho, no dia que os jogadores do Brasil foram parabenizar os franceses após a eliminação do mundial, no dia que a Espanha foi eliminada da copa sem perder a compostura. Se Ekotto diz não amar o futebol e fazê-lo apenas como profissão, como declarou, vimos que os celestes e a squadra azzurra não concordam com o lateral camaronês.  
Alguns podem me criticar, falar que a cordialidade é a evolução do futebol. Eu espero que não, quando estou dentro de um campo, seja jogando com os amigos ou em algum torneio, sinto que devo deixar minha vida lá, não gosto de perder, não gosto de ver o outro ganhar. E foi isso que vi nos atletas uruguaios e italianos, foi uma ânsia de continuar vivo.
Suarez e Chiellini fizeram um duelo particular no jogo, com direito a polêmica. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
 A Itália jogou com o regulamento nos braços, como sempre fez, mas não significou apatia, foi valente, aguerrida dentro das suas limitações. É um time envelhecido e com alguns problemas pontuais, mas a Itália nunca é uma máquina. Perde e saí eliminada com Costa Rica se classificando. Vergonha? Sim, não vamos passar as mãos na cabeça de Prandelli, que deveria ter ganho da Costa Rica. Mas, mesmo assim, prefiro a vergonha italiana, mascarada pelo suor e pela vontade, do que a passividade espanhola.
E ao Urugai? Uruguai empolga, me faz lembrar o porquê comecei a jogar futebol quando criança, me faz lembrar o porquê gasto horas da minha vida acompanhando esse esporte, me faz lembrar, principalmente, o porquê Futebol não é só '22 homens correndo atrás de uma bola'. Mesmo o uruguaio que mais odeia a Copa deve ter orgulho dos selecionados de Tabarez, humilhados após o primeiro jogo, escorraçados pela própria imprensa e desacreditado pelos rivais, mas que enfrentou os europeus e expulsou-os das Américas. Parabéns Uruguai e Itália, pois na Copa das Copas, vocês (apesar dos pesares) demonstraram que o futebol emociona quando é jogado com o coração. 

Bélgica vence e se classifica, mas Argélia rouba a cena

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Africanos partem pra cima, goleiam, e são favoritos pela segunda vaga. Belgas seguem sofrendo, mas vencendo

Texto de: Felipe Deliberaes

As seleções de Bélgica e Rússia fizeram, na tarde deste domingo, um duelo entre o favoritismo despreparado e o pragmatismo experiente. Com Mertens e Fellaini de titulares, os Diabos Vermelhos ganharam mais poder de transição, e começaram melhor hoje do que contra a Argélia, na primeira rodada – o que não quer dizer muita coisa.

O goleiro Akinfeev só se preocupou com os avanços de Mertens, mas não teve de realizar grandes defesas na meta russa. Como não podia deixar de ser, o lance do primeiro tempo foi uma polêmica: Alderweireld tentou o bote em Kannunikov dentro da área e acabou chutando o pé do russo. Pênalti não marcado para a seleção que, até os 30 do segundo tempo, merecia vencer.

Rasteira do juiz! Russos sofrem com arbitragem, perde e estão quase fora (Foto: Getty Images)

Na segunda etapa a Rússia demonstrou evolução tática, subindo ao ataque com qualidade e alçando bolas perigosas na área (aproveitando sua média de 4 metros de altura). Com as linhas afastadas, a Bélgica não se encontrou durante os primeiros 10 minutos. Lukaku saiu (reclamando) para dar lugar a Origi, o que não mudou muito a situação. O jogo ficou morno, com a Rússia ainda tendo as melhores chances, embora nenhuma realmente clara. A torcida ficou impaciente, e chegou a gritar “vergonha” para a até então decepcionante seleção belga. 

A entrada de Mirallas (no lugar de Mertens) não mudou, mas coincidiu com uma melhora significativa dos centro-europeus, que se organizaram taticamente e passaram a controlar as ações. Após uma bola na trave em falta cobrada por Mirallas, a pressão ficou insustentável, e aos 42 Kompany puxou contra-ataque. A bola caiu nos pés de Hazard, que se infiltrou pela esquerda e cruzou para Origi marcar. 1 a 0, Bélgica classificada com antecipação – frase que não faz jus às dificuldades que a equipe enfrentou e à desorganização tática. Como afirmei no texto anterior, o mata-mata não perdoa.

Origi faz o gol do alívio belga (Foto: Eduardo Monteiro)


Agora, sim, vamos falar do melhor jogo do grupo: Argélia x Coreia do Sul. Pois é, quem diria? O técnico Vahid Halilhodzic realizou cinco alterações no time argelino, que assumiu postura ofensiva e partiu pra cima dos coreanos. Com maioria de torcida argelina no Beira-Rio, o gol não tardou a sair: Slimani recebeu lançamento de Medjani e bateu, sem chance para o goleiro Sungryong.

Instantes depois, Slimani finalizou bem e ganhou escanteio, que Halliche converteu. 2 a 0 e o terceiro era questão de tempo. Aos 37 ele mesmo, Slimani, tocou para Djabou, sozinho, fazer. Os africanos chutaram 12 bolas no alvo. Os asiáticos, nenhuma. Cenário que poucos imaginavam antes do apito inicial.

A Coreia voltou com outra postura para o segundo tempo, e descontou logo aos 6 minutos, com Heungmin. Aos 12, quase colam no marcador: o chute de Chuyoung foi salvo em cima da linha. Era perceptível a acomodação e desatenção dos argelinos, que 'sentaram em cima' do placar e chamaram os coreanos. Mas Brahimi recebeu de Feghouli aos 17 e matou o jogo. Os orientais ainda descontaram aos 27, com Jacheol, e pressionaram no restante da partida, sem muito sucesso.

A Argélia pode se classificar com um empate com a Rússia, já que a Coreia enfrenta a poderosa Bélgica e, em tese, não deve surpreender os habilidosos europeus. Mas, claro, essa não é a Copa das teses. É a dos gols, dos grandes jogos entre seleções pouco badaladas, dos craques alternativos. Ainda tem muita rede pra balançar no grupo H da Copa das Copas.

Slimani comemora o primeiro gol da Argélia (Foto: Edison Vara)

Holanda garante o primeiro lugar contra o Chile; Espanha se despede com vitória

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Holanda foge do confronto com o Brasil, enquanto a Espanha foge sem rumo do Brasil

Texto de: João Vitor Rezende

Em busca do primeiro lugar do grupo B, Holanda e Chile se enfrentaram na Arena Corinthians, ou Arena São Paulo, ou Itaquerão, como queiram. A Holanda veio com um esquema diferente, um 4-3-3, motivado principalmente pelo desfalque de Martins Indi. Os chilenos, contando com o apoio da torcida que vem dando show nas arenas brasileiras, manteve a formação do último jogo, mas com Vidal poupado.

O primeiro tempo, deixou a desejar. O Chile com Alexis Sanchez foi mais ofensivo, mas não conseguiu ameaçar a meta de Cillessen. A Holanda mesmo com 3 atacantes, também não atacava. Kuyt que substituiu Van Persie, suspenso, ficou mais preocupado em conter os avanços adversários pela ala esquerda. Jogo duro, defensivo. As principais chances, vieram das bolas aéreas.

Na segunda etapa, as equipes pareciam mais dispostas a apresentar um bom futebol. Ao contrário do que se imaginava, os chilenos estavam mais desgastados pelo forte calor que fazia em Itaquera. Os holandeses se tornaram mais incisivos, quando Van Gaal trocou Lens por Memphis Depay aos 24 do segundo tempo. Depay trouxe mais velocidade pelas pontas, e pressionou mais os chilenos. No minuto seguinte, Valdívia entrou no lugar de Silva na seleção sul-americana, indo de vez pro ataque.

Aos 30 minutos, Leroy Fer substituiu Sneijder. O meio-campo do Norwich entrou com gás, e com estrela. No primeiro toque na bola, com apenas 2 minutos em campo, depois da cobrança de falta do Robben, cabeçada certeira, no canto de Bravo. Vargas deixou o campo para a entrada de Pinilla, e o Chile começou a apelar para o chuveirinho. Enquanto isso, a Holanda se resguardou, trocando Kuyt por Kongolo.

Numa daquelas bolas aéreas decisivas, onde o time inteiro aparece na "cozinha" adversária, o golpe de misericórdia da Laranja Mecânica. O incansável Robben puxou o contra-ataque. 2 a 0, decisivo. Depois das polêmicas declarações de Louis Van Gaal e Van Persie sobre os horários dos jogos das chaves A e B, os europeus parecem ter fugido da reedição das últimas quartas de final. Sobrou pro Chile, que caso o Brasil confirme o primeiro lugar, buscará a revanche das oitavas de final de 2010.

Leroy Fer comemora seu gol, o primeiro contra o Chile (Foto: Associated Press)
Simultaneamente na Arena da Baixada em Curitiba, a melancolia tomou conta da despedida espanhola. A La Roja enfrentou a Austrália, para sair da Copa com algum respeito. Mais uma vez, a seleção que chega como campeã mundial, cai na primeira fase. Recentemente, França em 2002 e Itália em 2010 também repetiram o fiasco.

David Villa se despediu da seleção com bola na rede, abrindo o placar aos 36 da primeira etapa. Na segunda etapa, aos 24 minutos, o contestado Fernando Torres guardou o seu. Juan Mata, que substituiu Villa, fez o terceiro gol aos 37. A Austrália aparentou estar entregue, sem ânimo para piorar o clima da seleção espanhola. Um alívio no meio do caos, que só está começando.

Villa marca de letra: despedida melancólica da Fúria (Foto: Associated Press)

Seleção da Segunda Rodada

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Texto de: João Vitor Rezende

O Clima de Copa novamente recrutou seus palpiteiros, desta vez, para escolher os nomes que se destacaram durante a segunda rodada. O esquema tático escolhido o 4-3-3, quase um 4-2-4.

Goleiro: Memo Ochoa - México
Se Brasil e México terminou sem bola na rede, Ochoa é o grande responsável. Memo fechou o gol, e não deu chances para Neymar, Thiago Silva e companhia, que tentaram transpor a muralha mexicana. E Ochoa está sem clube...

Lateral-direito: Fabian Johnson - Estados Unidos
No empate contra Portugal, o lateral-direito estadunidense se destacou. Joga pela direita, mas também bate com a esquerda, tem velocidade, habilidade, e não compromete na marcação. Um dos melhores na posição no torneio, bom nome a ser observado nesta Copa.

Zagueiro: Thiago Silva - Brasil
O empate do segundo jogo brasileiro também é responsabilidade da zaga canarinho, que segurou bem os ataques mexicanos. Seguro e imponente, Thiago Silva jogou com raça na defesa, e ainda tentou colaborar no ataque.

Zagueiro: Kompany - Bélgica
A nova geração belga vem ficando um pouco abaixo das expectativas, apesar das duas vitórias. Um dos poucos que vem se destacando, é o zagueiro do Manchester City. Compensa a idade de Van Buyten, com velocidade e uma boa técnica para um defensor, que vem crescendo muito nas últimas temporadas.

Lateral-esquerdo: Alvaro Pereira - Uruguai
O lateral do São Paulo é um dos exemplos da gana, vontade e raça uruguaia. Nem um grave choque na cabeça depois de uma dividida com Sturridge, foi capaz de o convencer a deixar o jogo. Ótima atuação de Alvaro Pereira, aparecendo bem no ataque e defendendo bem, mantendo equilíbrio, um dos grandes problemas dos laterais brasileiros.

Volantes: Matuidi e Sissoko - França
Os dois franceses serão citados juntos, pois não tem como falar da atuação de um, sem falar do outro. Sissoko foi reserva na estreia, substituiu Pogba no segundo jogo. O meio-campista da Juventus não convence com a camisa azul, e Deschamps preferiu colocar mais um volante de contenção. E deu certo. Matuidi que também teve um bom rendimento contra Honduras, teve mais liberdade contra a Suíça, e esteve mais presente no ataque. A dupla da volância deixou o trio de ataque mais tranquilo, pra cumprir a sua obrigação lá na frente.

Meio-campo: Bryan Ruiz - Costa Rica
Com Ruiz, nossa seleção pode virar até um 4-2-4, já que o meio-campista também atua como segundo atacante. Bryan é o responsável por dar um toque de qualidade nas jogadas da Costa Rica, e é um dos principais responsáveis pelo avanço de sua seleção. Foi premiado com o gol contra a Itália.

Atacante: Robben - Holanda
Depois de arrasar a campeã mundial na estreia, com 2 gols e ótima atuação, Arjen Robben manteve o nível na segunda partida. Desta vez, a vítima do canhotinha foi a Austrália, marcando mais um, e colocando seu nome entre os goleadores da Copa.


Robben, um dos artilheiros da Copa, mais uma vez presente na Seleção da Rodada (Foto: Getty Images)

Atacante: Benzema - França
O atacante do Real Madrid se destacou nos dois jogos. Não é a toa, que é um dos artilheiros do Mundial com 3 gols. Benzema não é a referência do ataque francês, vem jogando também fora da área, buscando a bola, desempenhando uma função importante no time francês.

Atacante: Suarez - Uruguai
A estreia da Celeste foi traumática. E Luisito permaneceu no banco durante todo o jogo, ainda se recuperando de lesão no joelho e sem condições físicas. Mas Suarez fez a espera valer a pena. Com a típica raça uruguaia, anotou duas vezes contra a Inglaterra, no segundo já cansado, aos trancos e barrancos, mas com a insistência e o faro de um grande artilheiro.

Decepção: Cristiano Ronaldo - Portugal
Mais uma vez, o Gajo não apareceu. A tão falada lesão no joelho que o craque ainda não recuperou, parece estar incomodando. Apesar da assistência para o último gol de Varela, Cristiano não apareceu durante o jogo. Afinal, se espera mais do melhor do mundo do que somente um cruzamento na área no último suspiro da partida.


Pela segunda vez seguida, Ronaldo é a decepção da rodada (Foto: Dylan Martinez/Reuters)


Técnico: Jose Luis Pinto - Costa Rica
Depois de engolir a seleção uruguaia no segundo tempo da estreia, outra campeã mundial não foi párea para a Costa Rica. Jose Luis Pinto anulou Andrea Pirlo e todo o meio-campo italiano, principalmente durante a segunda etapa, e garantiu a inédita classificação costa-riquenha para as oitavas de final.

Palpiteiros:
Enrique Bayer
Felipe Deliberaes
Gabriel Panice
Jean Marcel
João Vitor Rezende
Lucas Boamorte
Raphael Gierez
Thiago Rage
Vitor Carvalho

Existe liberdade no futebol? Apenas em termos

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Do exército à Copa do Mundo

Texto de: Vitor Carvalho


Lee em comemoração após o gol contra a Rússia (Foto: Reuters)
O ápice para um atleta, seja de qualquer modalidade, é disputar as maiores competições em alto nível. A maioria deles, a grande massa de esportistas e pseudo-esportistas mundo afora, apenas sonha com isso. Apesar disso, alguns sonhos se tornam realidade: temos exemplos maravilhosos no meio esportivo; relatos de pessoas vindas de um cenário complicado, com adversidades, barreiras e tudo da forma mais humilde possível. O esporte nos presenteia com essas histórias, que acrescentam ainda mais em sua desenvoltura e, não menos, sua prática.

No futebol, os exemplos não param. Quando ‘moleques’ nos imaginamos como camisa nove da seleção, jogando a Copa do Mundo e atingindo a glória máxima. Não sei se é peculiaridade do brasileiro, mas certamente é do amante da ‘gorduchinha’. Como já disse algum autor por aí “sonhar não custa nada”. Frase mais do que verdadeira é encorajadora: não vejo forma de sucesso, de progressão em qualquer âmbito da vida, que não passe por almejar, querer e perseguir seus objetivos. No esporte e, no futebol, também são assim.

É notável, principalmente agora (neste mês, especificamente), como já soltara outro alguém “não existe mais bobo no futebol, amigo”. O nivelamento das equipes é evidente. As chamadas zebras de hoje, são as forças de amanhã. O futebol evolui para todos, uns mais e outros menos. Diversos fatores estão ligados: desde trabalho de base, equipe técnica, acomodação, talento, dinheiro (indispensável) e a magia do futebol, acentuada ainda mais em Copas.

Caso esse, presente na Coreia do Sul. Desde a Copa da Espanha, em 1982, a seleção participa de mundiais. De lá pra cá, nenhuma ausência, além de uma semifinal em 2002 (quando dividiu sede com os nipônicos) e uma oitavas de final, na última edição do torneio. O futebol asiático, antes chamado de fraco em tática e força, contendo só ‘correria’, mudou. E mudou para melhor.

Porém, para tal sucesso, seguir as normas do país também é parte do desenvolvimento. Nesse caso, mais cidadão e mental do que dentro das quatro linhas. Segundo a constituição sul-coreana todo homem, entre 18 e 35 anos, deve passar ao menos 21 meses prestando continência ao exército. A qualquer momento um telegrama pode chegar, e não há recusa.

Foi o que aconteceu com o atleta Lee Keun-Ho, sul-coreano chamado às pressas para o serviço militar local. O ocorrido foi em 2013, após ter sido eleito um dos melhores asiáticos do ano anterior e ter ganhado a Champions League local com o Ulsan. Propostas do futebol Europeu surgiram, mas o atleta precisava cumprir seus deveres como cidadão. Em suma, ele ficaria dois anos longe de seu clube.

Em virtude disso, os atletas não ficam sem jogar. Ao serem chamados, incorporam a equipe militar que disputa a segunda divisão nacional. Lee vinha sendo convocado regularmente pelo seu ‘professor’ à seleção e vivia o melhor momento da carreira, estava no auge. Mesmo disputando a segundona, ficou entre os 23 da Coreia para a disputa do mundial. Logo na estreia, veio a compensação. O jogo estava truncado e calor de Cuiabá cansava os russos no gramado.

Percebendo isso, o técnico o chamou no segundo tempo e garantiu, até então, o único ponto da Coreia do Sul na Copa, em chute de fora da área – contando com colaboração do arqueiro Akinfeev. Assim como um militar, não desobedeceu às ordens de seu treinador. Cumpriu seu papel.

Não faltou emoção em Manaus!

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Só o que faltou, foi Cristiano Ronaldo

Texto de: João Vitor Rezende

Apenas os 3 pontos interessavam a Portugal. O empate o deixaria na mesma situação de Gana, com apenas 1 ponto, dependente de combinações para se classificar. Depois de vencer na primeira rodada, os EUA estavam tranquilos, já que até o empate o deixava em situação confortável, precisando apenas de um empate na última rodada em um possível jogo de compadres como a Alemanha. A Arena da Amazônia em Manaus, presenciou um grande duelo.

CR7 parece ter começado mais ativo, com 3 bons dribles em sequência no meio-campo. Mas foi só um lampejo, assim como todo o time português. Com um bom início de jogo, assim como na estreia contra a Alemanha, mas dessa vez, com a bola dentro das redes. Cruzamento na área, Nani aproveitou a bobeada de Cameron, e a mãozinha de Howard, pra abrir o placar com 5 minutos de jogo.

Aos 16, Hélder Postiga sentiu a coxa e deu lugar a Éder, provocando outra lesão no elenco luso. A partir daí, os EUA começaram a mandar na partida. Cristiano Ronaldo e Éder não marcavam, Nani não acompanhava a subida dos laterais. João Moutinho buscava a bola atrás para municiar os atacantes, distribuindo as jogadas, mas quando ele e Veloso avançavam, não tinham cobertura. A última linha de quatro defensores neutralizou bem alguns ataques, mas os estadunidenses tinham liberdade para rodar a bola pelo meio.

Jonsson fez ótima atuação durante o jogo todo. Eficiente na marcação e no ataque, finalizando com a perna esquerda, mesmo atuando na direita, e levando perigo a Beto. Dempsey não ficou fixo no ataque, e sim flutuando, vindo buscar a bola no meio-campo e aparecendo nas pontas. Os norte-americanos jogaram no 4-3-2-1 com uma boa marcação nas duas primeiras linhas, e com Beckerman, Jones e Bedoya aparecendo a frente, para ajudar Zusi e Bradley. Os chutes de fora levaram perigo, mas não o suficiente para abrir o placar.

Para a segunda etapa, Paulo Bento voltou com William Carvalho no lugar de André Almeida, improvisando Miguel Veloso na lateral-esquerda. A alteração parece ter chamado ainda mais os Estados Unidos para o ataque, principalmente com as subidas de Jonsson. Depois de muita insistência, finalmente o empate. Aproveitando o rebote da bola aérea, Jones acerta um belo chute de fora da área no canto direito, sem alcance para Beto, aos 19 minutos.


Jones comemora o gol de empate dos EUA (Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters)

Cinco minutos depois do gol, Varela substituiu Raul Meireles. De imediato, a alteração de Bento pareceu equivocada, mas no final deu resultado. No minuto seguinte, Klinsmann promoveu a entrada de Yedlin no lugar de Bedoya, o que deixou seu time ainda mais ofensivo. Os americanos mais incisivos desde o primeiro tempo, mereciam ser recompensados. Até que aos 34, Zusi tocou para Dempsey, que deu uma de Renato Gaúcho, e colocou pra dentro de barriga.

Após o gol, os americanos relaxaram. Zusi e Dempsey foram poupados, o atacante inclusive jogou com o nariz fraturado, em dividida dura com o ganês John Boye na estreia. O resultado parecia estar definido, Portugal ainda incomodava em busca do empate, até que a Copa nos surpreendeu novamente. O gajo Cristiano estava sumido, pouco se movimentava, constantemente ficava impedido. Até que a bola chega nele na ponta direita, e ele coloca na cabeça de Varela, no último lance do jogo. Só não foi o suficiente para a exaltação do craque. Ronaldo ainda tem muito a evoluir nesse Mundial, precisa aparecer, ainda mais no próximo duelo decisivo. 2 a 2, empate com a cara dessa Copa, mas nem tão merecido.


Ronaldo ainda abaixo de sua média (Foto: Dylan Martinez/Reuters)

A decisão do grupo G é na próxima quinta-feira (26), as 13h00. Na Arena Pernambuco em Recife, EUA e Alemanha fazem um possível "jogo de compadres". Um empate beneficia e classifica as duas seleções. Portugal e Gana ainda com chances, buscando a vitória, no Estádio Nacional de Brasília.

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