Do deserto às oitavas: Argélia acompanha a favorita, mas instável, Bélgica

Comentarios

Raposas buscam empate contra a Rússia em outro dia infeliz de Akinfeev. Belgas confirmam primeiro lugar

Texto de: Felipe Deliberaes

Atacante Slimani comemora seu gol, que classificou a Argélia para as oitavas (Foto: Getty Images)
Quando foi decidido que o último grupo da Copa contaria com a emergente Bélgica, a estagnante Rússia e as incógnitas Coreia do Sul e Argélia todos apostavam, em seus bolões, nos diabos vermelhos em primeiro e numa briga de foice pela segunda posição. Ninguém sabia quem passava. Mas, então, recapitulemos o caminho das três 'coadjuvantes': os russos chegavam com a pompa de terem passado pelas eliminatórias deixando Portugal na repescagem - da qual os coreanos, nas eliminatórias asiáticas, escaparam por apenas um ponto. 

Mas quem quase não pisou em solo sulamericano foi a Argélia. Após passar tranquilamente por um grupo com Mali, Benim e Ruanda, enfrentou Burkina Faso em confronto direto pela última das cinco vagas africanas. Perderam o primeiro jogo, fora, por 3x2. A classificação veio nos pés de Bougherra, aos 4 minutos do segundo tempo, na partida de volta. 1 a 0. Sofrido, chorado, no critério do gol fora de casa, mas com o mesmo valor de um 10x0. A Argélia deixava o deserto rumo às praias brasileiras.

Bom, uma seleção surpreendeu, a outra penou um pouco, e a última quase não veio. Depois dessa retrospectiva e levando em conta a tradição, a aposta natural para a segunda colocada seria a Rússia. Com muito esforço, a Coreia. Mas nunca a Argélia. Só quatro participações em Copas? Quase não passou de Burkina Faso? Ah, vão tomar goleada atrás de goleada...

Pois é. Com gol de Slimani aos 14 do segundo tempo, recompensado após muitas tentativas, a Argélia buscou o empate contra a Rússia, que abriu o placar cedo, aos 5 minutos de jogo, com Kokorin. Ao soar o apito final na Arena da Baixada, a surpreendentemente grande torcida argelina não cabia em si de alegria, exagerando nas reverências religiosas e até acendendo um sinalizador, proibido pela FIFA, mas liberado por nós, fãs do futebol-coração. E se os russos precisam buscar um vilão para explicar a eliminação é só olhar pra trás, em direção à própria meta: Akinfeev falhou, pela segunda vez no torneio (o frango contra a Coreia jamais será esquecido), saindo muito mal do gol na cobrança de escanteio, sem condições de impedir a testada do atacante argelino.

Números e vozes: Argelinos vieram em peso, fizeram barulho e coloriram a Arena da Baixada (Foto: Getty Images)
Verdade seja dita: a Rússia jogou melhor. Arriscou mais. Tem mais qualidade. Mas lhes faltou a dedicação dos africanos. Não que sejam pernas-de-pau: Slimani, Feghouli e Brahimi, em especial, demonstraram consciência tática e lideraram a seleção com maturidade. Mas não tem como não dizer que a classificação não veio na base do 'coração na ponta da chuteira'. Agora vem a Alemanha. Agora, vai ter que ter chuteira pra colocar 38 milhões de corações.

A Bélgica, por outro lado, foi bem pouco 'coração'. E não muito futebol também. 1x0, 2x1, 1x0, 9 pontos, primeiro lugar, adversário menos perigoso nas oitavas. Cirúrgica. Pra quem teve seu último grande momento em Copas há doze anos, dificultando a vida dos futuros campeões, deve estar ótimo. Mas pro potencial que a seleção tem, é pouco. O 1x0 na Coreia do Sul não diz muito sobre o que foi o jogo: os asiáticos tiveram mais posse de bola, chances de gol, finalizações e trocaram mais passes; Tiveram mais jogadores também, já que Defour foi expulso no final do primeiro tempo. Mas esbarraram em Van Buyten e Lombaerts, e na própria deficiência técnica.


Belgas agradecem a torcida na Arena São Paulo: vem aí o verdadeiro teste (Foto: Reuters)
Os europeus pegam os Estados Unidos nas oitavas. É a primeira prova de fogo: os norte-americanos vêm forte, jogando bonito, apostando no coletivo. E coletivo é algo que ainda está em falta pelos lados de Flandres e Valônia. Já passou da hora da "ótima geração belga" demonstrar a que veio. Ser coadjuvante de novo é muito pouco pra tanto talento.

#Compartilhar: Facebook Twitter Google+ Linkedin Technorati Digg

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivo do blog

Tecnologia do Blogger.