O que esperar do 'Uruguai' dos balcãs?

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A estreante Bósnia e Herzegovina promete dar trabalho

Torcida bósnia faz a festa no Maracanã (Foto: uol.com.br)
Você certamente está cansado de ouvir que o futebol proporciona várias histórias memoráveis - ainda mais se tratando de Copa do Mundo, a dimensão é gigantesca, capaz de ser lembrada por muitas gerações. Esta (a princípio) não é mais uma de deixar o leitor grudado na tela, mas, certamente, é especial para um pequeno povo localizado no Leste Europeu, com uma pequena parcela de terra da ex-Iugoslávia.

Os Bósnios almejam uma Copa há muito tempo. Desde o qualificatório para a Copa na Alemanha, a possibilidade era real de classificação. Na eliminatória em questão, ficaram a poucos pontos de desbancar a Espanha e alcançar no mínimo os playoffs. Na eliminatória seguinte, desta vez para o mundial africano, obtiveram a chance de jogar o mata-mata decisivo contra Portugal. Depois de perderem por apenas um gol em Saravejo, foram pra cima na volta e acabaram goleados. Aquela geração já contava com Dzeko, Misimovic e cia., e por pouco não fez parte da maior festa do futebol.

Parecia estar reservado para o mundial brasileiro, o país com a seleção mais vencedora e reverenciada (com veemência) na pequena Bósnia, o direito de disputar uma copa. O sorteio da UEFA foi generoso, e as maiores forças eram Grécia e Eslováquia - a última acabara de estrear em copas. Com o desenrolar da classificação, não demorou para tomarem a frente do grupo e mais, chegaram a última rodada com um dos melhores ataques até então, precisando de uma vitória simples para carimbar o passaporte.

Eram 7 vitórias em 9 jogos, campanha suficiente para passar em vários grupos. Mas a Grécia estava ali, só esperando um vacilo bósnio. O jogo decisivo ocorreu fora de casa, em Kaunas na Lituânia. Famosa por campanhas e times bons no basquete, a seleção de futebol do país não demonstrava grande talento. Porém, era visível a tensão do time bósnio.  Sabiam da responsabilidade de dar alegria a quem tanto chorou nos últimos anos, em virtude de guerras civis e de separação no país. De mostrar força a pouco mais de 3 milhões de habitantes, 3 milhões de guerreiros.

O predestinado, assim como parece ser na Copa, foi Ibisevic. O jogador que há muitos anos defende equipes no cenário alemão, deu o gol mais importante dos dezoito anos de independência do país. Vitória sofrida e comemorada noite adentro nas ruas de Saravejo. Os 11 gladiadores faziam história, e agora aguardavam o tão sonhado dia da estreia.

Abaixo o gol de Ibisevic que garantiu a participação bósnia no mundial


E o tão esperado dia chegou, no último domingo. Em um dos estádios mais místicos do futebol, agora 'New Maracanãn', estrearam pelo grupo F a candidata ao título Argentina e a única debutante do mundial brasileiro, a Bósnia. O placar final apontou vitória (suada) hermana por 2 a 1. O jogo teve ares dramáticos para o time de Dzeko - que pouco fez no duelo - quando na primeira bola parada, em cruzamento de Messi, Kolasinac mandou para o próprio gol. Um baque.

No segundo tempo, a estrela de Lionel Messi brilhou quando os nossos vizinhos mais precisavam. A Bósnia pressionava e havia equilibrado a posse de bola, quando o camisa 10 propiciou mais um duro golpe para a equipe. Os torcedores pouco se importavam, tudo era festa e motivo para comemoração. Ainda havia esperança para o primeiro gol bósnio em Copas, e ele veio. Coube ao herói da classificação Ibisevic mais uma vez desequilibrar. Vindo do banco, em uma de suas primeiras jogadas (contando com colaboração de Romero), fez o gol. Emocionante. O placar era insignificante, gol histórico e que jamais será esquecido por um povo acostumado (infelizmente) a dias cinzentos e tristes.

Ibisevic toca por baixo de Romero. O primeiro gol bósnio em Copas. (Foto: globoesporte.com)
Se a Bósnia repetirá o sucesso de sua vizinha Croácia em 98, ainda é uma incógnita. Mas tem jogadores capazes de no mínimo chegar às quartas de final: Pjanic, Dzeko, Lulic, Misimovic, Begovic e o iluminado Ibisevic são os principais nomes e podem ser responsáveis pelo feito. Independente do sucesso ou não, a missão já está cumprida. Os bósnios vivem o mês mais feliz de suas vidas após muito tempo. Sem pressão e com um mundo azul apoiando, é continuar fazendo história.

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