A fatídica decisão do terceiro lugar

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Pra Holanda é desprezível, para o Brasil é em nome da honra


Texto de: João Vitor Rezende

David Luiz desolado após a derrota contra a Alemanha (Foto: Gabriel Bouys/AFP)
Existiram decisões do terceiro lugar interessantes. Em 1998, o Parc dos Princes viu a Croácia fazer história logo em sua primeira Copa, e vencer a Holanda. Quatro anos depois, a Coreia do Sul - que dificilmente terá outra oportunidade,a não ser que a arbitragem dê outra "mãozinha" - jogou em casa em Daegu, mas perdeu para a Turquia, que também fez seu melhor resultado na história dos Mundiais. Essas partidas realmente foram decisões, principalmente em 2002, quando eram duas seleções que nunca tinham chegado tão longe. O jogo de sábado, provavelmente não entrará pra história. Talvez, entre.

O duelo Brasil e Holanda será mais que um amistoso de luxo. Não pela gana em conquistar os méritos do terceiro lugar. Até porque, ficar em terceiro numa Copa, não tem o mesmo significado de uma Olimpíada, por exemplo. Não conta pro quadro de medalhas, nem medalhas são atribuídas aos vencedores. Mas está lá, pra cumprir tabela. Certamente, pra não deixar a Copa com número ímpar de jogos. Já que deve ser jogado, Brasília receberá sua sétima partida neste sábado.

Van Gaal disse que não deseja perder, porque faria a Oranje deixar as terras sul-americanas como derrotados, com duas quedas consecutivas. Pra seleção brasileira, não é necessário dizer muita coisa. Vencer será uma tentativa de salvar o ambiente, de manter a cabeça erguida, após o passeio alemão no Mineirão (mais detalhes da partida contra a Alemanha, aqui).

Não dá pra prever qual será o comportamento e a escalação holandesa. Talvez, Van Gaal faça experiências, visando o próximo ciclo, pois sua equipe é recheada de jovens talentos formados na Eridivisie, que provavelmente continuarão defendendo a camisa laranja. O discurso dado pelo time de que a decisão não importa é balela, deve ser descartado. Afinal, Danny Blind, ex-zagueiro e atual auxiliar técnico, comandará a Holanda na próxima Copa. Sem dúvida, os jogadores vão querer mostrar serviço ao futuro treinador.

Felipão já assegurou 2 ou 3 mudanças. Fernandinho, Bernard e Fred devem ser sacados e substituídos por Ramires, Willian e Jô. Os dois últimos quase não tiveram oportunidades, e poderão ser titulares na despedida melancólica. Se os adversários já tem o futuro definido, o Brasil está longe disso. O final do jogo promete explicações, idas e vindas, quem sabe choro, tristeza, prognósticos sobre o futuro.

O resultado dos 90 minutos (ou mais) pode ficar de lado, em relação ao que pode vir depois do apito final. Daqui 20 anos, esse jogo poderá ser lembrado pelo rompimento de uma série de fatores que prejudicam o futebol brasileiro e pelo início de uma nova era, ou, por um trabalho que começou na base, e termina num próspero fim do jejum holandês. A Copa das Copas faz história, até na decisão do terceiro lugar.

Vlaar após desperdiçar o pênalti contra a Argentina (Foto: Odd Andersen/AFP)

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